
HOJE É DIA DE BLOGAGEM COLETIVA,
UMA PROMOÇÃO DO BLOG VIDAS LINHA
PROMOVIDA PELA MINHA LINDA COLEGA MYLLA.
Numa casa isolada, um jovem na madrugada da vida, sentado à janela, olhava para o céu bordado de estrelas, ora para a imagem de uma donzela que tinha entre as mãos, imagem esta cujo os traços e cores se refletiam em sua face, apresentando a causa do segredo deste mundo e do recanto da eternidade, imagem da fisionomia de uma mulher que o saúda, fazendo de seus olhos, ouvidos que percebem a linguagem dos espíritos que nadam no vácuo daquele cômodo, idealizando desta aglomeração corações iluminados pelo amor e afagados pela saudade.
Assim passou-se uma hora como um minuto de sonhos agradáveis, ou a um ano de vida permanente, depois do qual, colocou o jovem o retrato em sua frente e escreveu:
“O minha amada!
A realidade sublime que está além da natureza, não se transfere de um humano para outro, pôr intermédio de palavras conhecidas, porém, prefere o silêncio pôr ser o caminho entre as almas.
Eu percebo o silêncio desta noite intervir em nossas almas, pôr tantos bilhetes mais suaves que aqueles que escrevem a brisa na face das águas, lendo as cartas dos nossos corações aos nossos corações. Do mesmo modo como fez Deus às almas prisioneiras dos corpos, assim, fez-me o amor prisioneiro das palavras.
Dizem, ó amada, que o amor transforma-se nos crentes em fogo devorador. Eu acho que a hora da despedida não teve forças para separar-nos, e deduzi que no primeiro encontro, minha alma já te conhecia há séculos, e que o primeiro olhar não era realmente o primeiro olhar.
Amada, essa hora que faz a junção de nossos corações, que estavam exilados do mundo elevado, é uma das horas que minha convicção da imortalidade da alma e sua perpetuidade, uma dessas horas descobre a humanidade os contentamentos da face de sua justiça absoluta, injustamente caluniada.
Recordaras, ó amada, aqueles jardins onde paramos e olhamos um ao outro, à face do seu amor? Saberás por acaso que teus olhares disseram-me que o amor que tu me tinhas não surgiu de pena de mim?
Aqueles olhares me ensinaram a dizer a mim e a humanidade, que a doação que precede da legalidade é mais importante do que a que começa pela esmola…
No meu proceder, ó amada, quero que a vida seja sublime e bela, vida que irmanará as recordações do homem futuro, e me antecipará a sua veneração e amizade, vida que começou quando te encontrei convicto de sua perpetuidade, pois sou crente que és forte para exibir a força que depositou em mim Deus, e incorporou-a com prática e afazeres grandiosos, do mesmo modo que faz o sol brotar as flores nos campos com perfumes deliciosos, assim fica o meu amor, para mim e para os séculos, e permanece isento do egoísmo pela popularidade, e eleva-se das ostentações por tê-lo consagrado em ti”.
Levantou-se o jovem, caminhou lentamente pelos cômodos, olhou pela janela e viu a Lua saindo de traz das nuvens, enchendo o vácuo de delicada claridade. Voltou e escreveu na carta:
“Perdão ó amada! Eu te saúdo pelo pensamento. És minha metade que perdi, quando saímos da mão de Deus! Perdão ó amada!”.
